Publicado por: Gustavo Fujimura | 3 de janeiro de 2011

Andanças por aí 2

Terceiro. Museu Oscar Niemeyer em Curitiba. O museu foi a sede do governo paranaense e depois de 2002 foi reformado e transformado em museu. Originalmente havia um prédio baixo e beeeeeem horizontal, com um vão livre amplo, poucas colunas e muito concreto armado, como se o prédio estivesse suspenso no ar. Na reforma a obra recebeu um prédio escultura, uma forma orgânica parecida com um olho, suspenso por uma grande coluna que repousa num espelho d’água.

o “Olho” do Museu Oscar Niemeyer

Internamente o museu é tão incrível quanto o seu exterior, muitos espaços amplos, área externas e internas intercaladas por “paredes de vidro”. O interior do “olho”, especialmente o teto, é algo impressionante, de lâmpadas fluorescentes e cheio refletores em formas de pequenas folhas de papel pendurados, a mesma técnica usada no auditório do partido comunista francês. E o corredor que dá acesso à esse prédio do “olho” é parecido com um corredor que a gente sempre vê na tv, quando os repórteres estão falando do congresso nacional. A forma do corredor é meio elíptica, o piso curva e continua na parede, assim como o forro de gesso também curva em na parede, assim quando você está andando nele, há uma sensação de amplitude incrível. Você olha para o teto e parece que tá olhando para o infinito, não há cantos que definem o espaço, a curvatura deu muita fluidez.

Tá rolando no museu uma exposição da Maria Helena Vieira da Silva, uma artista portuguesa que radicou-se na França: o que achei mais interessante é que a exposição mostra como foi a vida da artista, com fotos da própria e informações diversas. Pelas fotos a gente vê uma artista sóbria, introspectiva, que sempre se vestia de preto. E a gente percebe que essa característica de sua personalidade tranfere-se para suas pinturas: na exposição a gente via autoretratos pálidos, utilizando-se de muitas cores escuras, muitos azuis, uma pintura meio sombria. Mesmo quando a pintura não era um autoretrato, os motivos eram, por exemplo, uma casa bem austera, vazia, em que a artista pintava a si própria nesse cenário meio caído. Engraçado que ela0 se casou com um artista, Arpad Szenes, que pintava utilizando muuuuuuuuuuuuuuuitas cores. Dá pra perceber, na evolução dos pintores, que a Maria Helena passa a pintar usando mais cores, enquanto o Arpad começa a ficar mais apagado e usa menos tons fortes. Seria a influência de um sobre o outro pela vivência como casal? E, depois que o Arpad se casa com a Maria Helena, o mote central de seus quadros passa a ser a esposa. Não é mais que uma declaração de amor?

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